segunda-feira, 13 de abril de 2009

Proposta curricular para uma escola eficaz (parte II)

Carol: Essa mudança parece ser mais fácil nas escolas particulares. Como ter um sistema educacional multicultural público, articulando igualdade e diferença, que ofereça de tudo um pouco para que não haja excluídos? Através de parcerias?

Ana: Tudo sempre é possível e mesmo nas escolas particulares isto não é tão tranquilo como às vezes pensamos. O vestibular, por exemplo. Mesmo as escolas particulares acabam sendo pressionadas pelos alunos e pela comunidade a oferecerem alguns conteúdos que vão se adicionando em função dos exames de ingresso nas universidades de prestígio. Mesmo essas escolas particulares nem sempre conseguem desenvolver currículos diferenciados, que valorizem a potencialidade dos alunos, que às vezes têm habilidade para música, ou teatro, mas como isso “não cai” no exame de ingresso nas universidades, acaba sendo deixado de lado.

A primeira parte foi mais para dismistificar o ensino particular, que embora tenha mais liberdade também existem esses cosntrangimentos. No caso do sistema público, como trabalhar respeitando essa diversidade de caminhos e ao mesmo tempo prestando atenção em conteúdos mais universais? Nós nunca conseguiremos e nem acho que é a intensão fazer um currículo totalmente diversificado e desligado dos conhecimentos que são valorizados pela sociedade. Dos conhecimentos numa era altamente tecnologizada como a nossa. Dos conhecimentos que hoje estão mundializados, as fronteiras foram praticamente quebradas através da internet, da TV a cabo. Temos o mundo muito mais interconectado e o currículo eficaz tem que preparar esses alunos para lidar com este mundo de hoje, um mundo globalizado, tecnologizado, diversificado.

Alguns conhecimentos têm que ser trabalhados independentemente das potencialidades dos alunos. São conhecimentos que a escola é chamada a desenvolver. Fazer currículos completamente diversificados e adaptados apenas às crianças das comunidades que procuram aquela escola não é o desejável. Ao mesmo tempo também desprezar as potencialidades dos alunos e as habilidades que devemos desenvolver apenas em função dos conhecimentos socialmente valorizados é cair no extremo oposto.

Eu recomendo um equilíbrio. O currículo eficaz deve equilibrar os conhecimentos, as habilidades e competências de um mundo globalizado, tecnologizado com aqueles conhecimentos mais humanistas que muitas vezes estão sendo esquecidos. Desenvolver habilidades para o aluno apreciar uma boa música, entender que  existem músicas de outras culturas, diferentes do ambiente cultural dele. Ampliar o repertório cultural das crianças. E valorizar a cultura que eles trazem. É difícil mas não é impossível, desde que nós não interpretemos isso como  um acúmulo de conteúdos a serem decorados. Trabalhar no equilíbrio entre conhecimentos socialmente valorizados, conhecimentos que ampliem o repertório cultural das crianças que chegam nessas escolas. Mas ao mesmo tempo tudo isso em diálogo com as culturas que eles trazem, sem menosprezar aquelas culturas, fazendo pontes e incentivando as suas habilidades é o currículo eficaz.

Como isso pode ser feito no sistema público? Temos que contemplar dentro do currículo da escola  momentos em que vamos trabalhar habilidades de estudo individual. Tem que ter algum tempo nessa escola, nesse currículo, em que ele vai aprender como fazer um dever de casa sozinho, como correr atrás de uma informação, como selecionar na internet as informações relevantes, são habilidades. Ele pode usar isso nos trabalhos de várias matérias. Em algum momento o foco não vai ser a matéria em si, mas a habilidade de correr atrás de uma informação relevante. Isso é uma habilidade necessária no mundo de hoje. Se cai no exame de entrada na universidade ou se não cai não importa, é uma habilidade que tem que fazer parte da vida dele.

Em outro momento se o aluno tem muito jeito para música, para  oralidade, mas não é muito bom na escrita, deve-se incentivar a oralidade, para ele se tornar um grande orador ou trabalhar com teatro, com alguma atividade que dependa da potencialidade dele. É o momento do currículo em que devemos valorizar a cultura dele. E trabalhar conteúdos matemáticos, por exemplo, sempre em diálogo com a cultura do aluno, pois se o professor falar muito difícil sem levar em conta o conhecimento prévio dele vai prejudicar seu aprendizado.

Proposta curricular para uma escola eficaz (parte III)

Carol: Qual a importância do currículo para a educação? Como ele deve ser formulado pelos gestores e trabalhado pelos professores? Como o currículo pode tornar as aulas mais atraentes e efetivamente contribuir para a formação das crianças e jovens?

Ana: O currículo eficaz faz a criança aprender, dialoga com a cultura dela mesmo que seja para ensinar outros conhecimentos, incentiva as potencialidades individuais desses alunos, tenta trazer não só conteúdos, mas competências e habilidades que são requisitadas nesse mundo globalizado. Para isso tem que ter planejamento, para ver como será a distribuição do tempo, pois o próprio currículo não pode ser organizado só em conteúdos. O mapa curricular tem que ter habilidades, competências e a avaliação tem que medir isso. Não adianta fazer um currículo muito interessante e eficaz se na hora de avaliar esquecer tudo e avaliar somente matemática, português, desprezando todo o trabalho.

Tem que ser uma formação de professores que trabalhem com parcerias, pesquisas na área e que também dialogue com os saberes dos professores, senão cai no mesmo erro. Se for dar um curso de formação de professores conteudista, sem dialogar com os saberes que eles desenvolveram acaba por não penetrar nas expectativas e na prática desse profissional. Ele acaba  fazendo tudo da mesma forma e a escola não muda.

Carol: Que projeto você está coordenando no momento?

Ana: No momento estou coordenando um projeto de multiculturalismo em educação. Justamente com foco na formação continuada de professores. Traçar estratégias em conjunto com os professores, em conjunto com as escolas, secretarias e fundações para repensar essa formação continuada desses professores levando em conta a cultura socialmente valorizada, o currículo que temos que ministrar para as escolas, mas ao mesmo tempo equilibrando isso com o respeito e a valorização à diversidade dos alunos.

Como fazer isso? Não há receitas prontas, o projeto está tentando ver experiências, o que já está sendo feito, e acima de tudo se baseia em encarar a escola como uma organização multicultural. Como espaço onde transitam professores diferenciados, alunos com backgrounds culturais dos mais diversificados. Escolas que são instituições ligadas às secretarias, que estão ligadas ao Ministério, que estão ligadas à sociedade. Portanto é uma organização multicultural porque tem que trabalhar com um currículo que leve em conta essa diversidade toda, mas que ao mesmo tempo tem que ter seus indicadores, tem que ser avaliada por aquilo que ela é chamada a realizar, que é ampliar o repertório cultural dos alunos, preparar para o mercado, e para isso tem que ter avaliações e indicadores de larga escala.

Como podemos trabalhar com a formação continuada de professores e de gestores numa perspectiva multicultural? Essa perspectiva não recaindo somente numa diversidade total, mas equilibrando momentos em que essa escola tem que levar em conta seu compromisso e tem que ser avaliada por esse compromisso de currículo e momentos em que as avaliações têm que levar em conta a diversidade mesmo, dos alunos e da escola. Por exemplo, uma escola que fica em determinada região e que é mais afetada pela violência. Como é que é essa cultura? Além dos instrumentos mais homogêneos como é que podemos avaliar levando em conta essa diversidade? Como é que preparamos os professores e gestores para sair da forma homogênea e equilibrar momentos mais homogêneos de avaliação com momentos mais heterogeneos de entender aquela escola. Essa é a linha do projeto. Entender a escola como organização multicultural e entender que estratégias e que currículos de formação de professores nós podemos desenvolver para prepará-los para esses desafios.

Carol: Nesse projeto o estudo do currículo é somente para a formação de professores ou também direcionado aos alunos?

Ana: Este projeto está mais direcionado para a formação de professores, mas indiretamente acabamos tocando no currículo das escolas, porque ao preparar professores temos que ver um pouco qual é o currículo que esses professores e gestores enfrentam no seu cotidiano. Entendendo currículo como seleção da cultura e conjunto de atividades desenvolvidas, Embora o foco seja a formação continuada de professores acabamos por também ver o tipo de currículo que esses professores estão lidando, como podem lidar melhor com ele e que perspectivas podemos apontar para esse currículo para também fazer um trabalho conjugado.

 Março/2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Coral Vivo perde patrocínio

O Projeto Coral Vivo perdeu o seu patrocínio principal, do Programa Petrobras Ambiental.

Inicialmente idealizado por pesquisadores do Museu Nacional/UFRJ, nasceu em 1994 com o estudo  dos processos de estruturação, formação e renovação da comunidades coralíneas brasileiras e após alguns anos foram definidos os principais aspectos da reprodução de corais recifais, de seu recrutamento em áreas recifais “saudáveis”, de relações com variáveis ambientais abióticas, crescimento, distribuição no ambiente, etc.

Em 2003 o Projeto Coral Vivo foi criado, quando recebeu apoio financeiro do Fundo Nacional do Meio Ambiente/MMA. Em seu início, o Projeto visava realizar pesquisas voltadas para a recolonização de áreas degradadas, promovendo o ingresso de corais. O Projeto, então inserido na ONG Instituto Recifes Costeiros, de Pernambuco, atingiu todas as metas propostas e o convênio foi bem sucedido.

Devido ao reconhecimento do esforço despendido para executar este convênio, em 2006 o Arraial d’Ajuda Eco Parque, que cedia ao projeto espaço por comodato, passou a ser patrocinador do mesmo. Concomitantemente, foi elaborado projeto submetido ao Edital Petrobras Ambiental 2006 que, segundo integrantes, não pôde ser renovado em 2009 por questões burocráticas.

Os recifes estão órfãos.


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Entrevista sobre a formação de professores

Entrevista com a Doutora em Educação (PUC-SP) Guiomar Namo de Mello, que atualmente é diretora da EBRAP, Escola Brasileira de Professores. Guiomar também possui Pós-Doutorado em Educação Comparada pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres, Inglaterra.

Carol:

Você está escrevendo o Plano de Educação do Estado de São Paulo em conjunto com o Professor Ruy Berger. Que eixos estão sendo priorizados?

Guiomar:

É claro que eu não estou fazendo isso sozinha, tem um grupo grande que está escrevendo. O que vai ser priorizado são as linhas da política educacional que a secretaria está adotando neste momento e que tem a ver de um lado com maior responsabilização, com toda a política do IDESP, pagamento de bonus etc. No eixo da qualidade um amplo movimento de reforma curricular, que a secretaria começou praticamente há um ano, um ano e meio, e que está sendo consolidado agora, e que mudou muito o tipo de educação em serviço dos professores, pois vamos fazer toda esta parte volta especificamente para a proposta curricular. Não será mais uma educação em serviço sem foco. O plano pretende também fortalecer todo o processo de municipalização, que continua correndo no estado de São Paulo. Esses são alguns dos eixos importantes das políticas atuais.

 

Carol:

Qual o tipo de responsablilização que ocorre no estado de São Paulo?

 

Guiomar:

O que a secretaria implementou e que já saiu no jornal por esses dias (24 de março de 2009) a partir da avaliação do SARESP, que é o sistema de avaliação do estado de São Paulo, calcular um indicador semelhante ao IDEB, mas eu não saberia dizer aqui os detalhes técnicos, e a partir deste indicador será possível avaliar o quanto que a escola progrediu e a partir do progresso de cada escola estabelecer um incentivo financeiro para os professores, para os diretores etc. Na linha da responsabilização eu acho que o carro chefe é este.

 

Carol:

Qual sua opinião sobre a progressão continuada?

Guiomar:

A progressão continuada já foi implantada em São Paulo há quase 10 anos. Ela gerou, por uma série de circunstâncias históricas - que em parte eu nem vivi, pois não estava no Brasil – uma resistência bastante grande da parte dos professores. Na verdade eu considero que não são resistências à questão técnica da progressão continuada, devem ter por trás delas outras questões que não se explicitam, se revelando em relação à progressão continuada, que maldosamente alguns professores chamam de promoção automática.

 

Carol:

Que não é a mesma coisa…

Guiomar:

Absolutamente. A Promoção Automática não é uma questão pedagógica, é uma questão de falta de ética profissional. Quem não ensina um aluno o ano inteiro e manda ele pra frente, não está cumprindo o seu dever. Agora se ele ensinou e se o aluno pode crescer neste ano o pouco ou o muito que o aluno cresceu tem que ser considerado ao final do ano. Você não pode fazer uma criança voltar eternamente atrás sem considerar o que ela cresceu durante um ano. Isso quer dizer progressão continuada, literalmente. Um progressso que se dá de maneira continua.

 

Carol:

Como isto é feito na escola pública? Como recuperação paralela?

Guiomar:

Como recuperação paralela. Como um processo de avaliação interna, que tenha muito a ver com a compatibilização da avaliação interna com a externa. Esta avaliação interna que a escola deveria fazer não olhando o espelho retrovisor, porque quando isso acontece você só vê o que aconteceu, e não o que falta para frente. A avaliação serve muito para dizer não só  o que você andou, mas o quanto falta pra você andar. Se você só olhar para trás, sempre vai querer voltar para o ponto de partida. Nós cometemos esses absurdos com as crianças. Ela reprovar em uma série em uma disciplina. 

No ano seguinte ela faz a série inteira novamente, incluindo as disciplinas em que foi aprovada, e quando chega no final do ano corremos o risco de ela reprovar não mais na disciplina que ela tinha reprovado no ano anterior, mas em outra, e isto põe em cheque a avaliação dos professores, a avaliação da escola. Como é que se faz com uma criança que foi reprovada em matemática e que tem que fazer português de novo, se o professor de português considerou que ela tinha aproveitamento suficiente? 

É uma questão muito delicada e que deveria ser posta para reflexão de todas as equipes escolares. Toda vez que fala-se nisso no exterior as pessoas acham que estamos enganados, que não deve ser assim. E é. Nós sabemos que é. Algumas escolas inovaram, criaram a dependência, principalmente no ensino médio, que eu saiba, mas isso não é uma prática constante nas nossas escolas.

 

Carol:

Vai ver isto  acontece porque a escola pública já sofre com a contratação de temporários, a falta de infra-estrutura… Como é que ela vai gerenciar um sistema de dependências, de recuperação paralela?

Guiomar:

Pois é. E no meio desta precariedade toda quem paga o pato é o aluno, a corrente arrebenta para o lado dele. No meio desta precariedade, com critérios que são muito discutíveis…

 

Carol:

Guiomar: Como você vê o problema da formação de Professores pelas Universidades Brasileiras. Como esse problema pode ser enfretado?

Guiomar:

Este é o objeto da minha palestra e é bem longo. Eu acredito que é o grande obstáculo construirmos uma educação de qualidade no Brasil. Enquanto a gente não mexer seriamente, profundamente, na própria estrutura da formação do professor, eu acho que não vamos conseguir sustentar um movimento de melhoria. Podemos até conseguir uma melhoria e aí entra uma nova leva de professores e temos que começar tudo novamente. 

O professor é aquele que vai sustentar isso por 25 anos pelo menos. Se você tiver um professor bem formado que seja devidamente apoiado ao longo e principalmente no início da carreira, ele terá condições de durante 25 anos dar sustentação à uma inovação para que ela crie raízes. E isto não vai acontecer com este tipo de professor que hoje estamos formando. Estamos formando professores que não tem nem mesmo a educação básica no ponto em que é preciso ter para poder entrar numa classe para dar aula na educação básica.


Carol:

Então o problema seria político, não?

Guiomar:

É um problema técnico porque existem divergências inclusive quanto às questões do currículo, enfim, questões pedagógicas, e é um problema político muito sério porque envolve uma instância da educação que é  o ensino superior sobre a qual aqueles que empregam os professores não têm poder de decisão. Teríamos que ter com o ensino superior um tipo de relacionamento aonde de fato as secretarias estaduais e municipais pudessem dizer o que é que falta nos professores que eles estão recebendo. 

E o que é que eles precisam realmente para que a universidade faça uma força para poder responder à esta demanda. Hoje em dia a universidade praticamente nem escuta o que dizem as pessoas que trabalham na educação básica. Temos um curso de educação, uma equipe preocupada, mas os professores vêm de todas as areas, da Física, da Química, da Matemática, da História, da Geografia, da Língua Portuguesa…. Cada um desses é um feudo dentro do ensino superior brasileiro. E nós não temos nenhuma instituição que articule isso debaixo de um projeto pedagógico comum. Então estamos muito mal servidos em matéria de formação de professores.

 

Carol:

O programa Teach for America[1] é um projeto que incentiva os melhores alunos de universidades como a Harvard a dar aulas por um período de 2 anos em escolas públicas americanas, com a promessa de serem melhor colocados no Mercado de trabalho após a experiência e já está sendo implantado em outros países. O que você acha deste projeto?

Guiomar:

É um projeto muito interessante, que tem tido sucesso nos Estados Unidos, mas ele não é uma resposta de massa. Não seria aqui e não é nos EUA, porque não se precisa de professor as centenas, precisa-se de professor aos milhares. Ou a centenas de milhares. No Brasil temos cerca de 2 milhões de professores exercendo efetivamente o magistério? Se tivermos um turn over de 5% disso, que não é muito, teremos 100 mil professores por ano para formar. As faculdades que têm muita vaga tem 3, 4 mil… E essas já são as grandes que oferecem ensino massificado totalmente sem qualidade. As universidades públicas que têm o ensino um pouco mais qualificado, são restritas no ponto de vista de vagas. 

Então temos um problema para o qual não adianta restringir só à universidade pública, temos que chamar a iniciativa privada. 90% dos professores do Brasil se formam e se preparam na iniciativa privada. Temos que contra com eles, não há como. Neste sentido é mais fácil até, porque a iniciativa privada é sensível ao Mercado, então se eu tenho um Mercado que exige uma coisa, ela vai atrás. Acontece que as próprias secretarias não sabem fazer a demanda do perfil profissional do professor. Além desse desencontro entre Educação Básica e Ensino Superior,esse lado de cá também não tem clareza do perfil de professor que precisa, o que cria uma situação de anomia total, que parece bem mas não está e quem paga o pato são os alunos.

 

Carol:

Que outro projeto você está envolvida no momento?

Guiomar:

Estou preparando um projeto para a FESP-RJ, de iniciação de novos professores, que em espanhol se chama INSERSIÓN, e talvez fosse um nome até melhor. Inserção do novo professor na carreira do magistério.

 

Carol:

Tem a ver com reciclagem?

Guiomar:

Não, tem a ver com o que acontece quando o professor termina seu curso de graduação e vai para o exercício. O que acontece quando o médico termina sua graduação e vai para o exercício? Ele vai para um hospital onde ficará trabalhando sob a supervisão de um médico experiente. Você pega um aluno recém formado em engenharia e não dá um projeto de grande envergadura para ele fazer os cálculos. Não se põe um piloto que saiu do treinamento para pilotar um boing sozinho. 

Mas nós pegamos um professor que saiu do banco da faculdade e jogamos ele dentro de uma sala de aula com 35 alunos, com enorme heterogeneidade. Alunos com universo de vocabulário, de cultura, totalmente díspares. E pedimos à ele para dar conta desses alunos. Estamos pedindo muito mais do que ele tem condição de dar. Agora agregue à isto que ele saiu de um curso de má qualidade e está pronto, é claro que a escola brasileira não dá certo. É admirável os casos em que ela dá, apesar de tudo. Esses casos temos que estudar com muito carinho, porque esses é que são anomalia num sistema como este.



[1] Será tema de outro post, na entrevista com Ana Gabriela Pessoa.

Pós Graduação Verde


Estão abertas as inscrições para a 1a turma do mais abrangente curso de Pós-Graduação Latu Sensu sobre o Mercado de Carbono e Mudanças Climáticas, agora no centro do Rio de Janeiro (*):

 

MBE EM PROJETOS DE MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO (MDL) E MERCADOS EMERGENTES

 

A coordenação deste curso será realizada pela consultora Denise de Mattos Gaudard em conjunto com a América Latina Sustentável (ALS) e a Universidade Católica de Petrópolis e para conhecer o conteúdo programático das disciplinas disponíveis no programa, basta visitar o site.



O curso também pode ser ministrado, sob consulta, em turmas fechadas, na modalidade IN COMPANY e os módulos também podem ser oferecidos individualmente.

 

(*) Informações Gerais:

 

- Duração: 16 meses

- Numero Total de Horas: 360 Horas

- Data da Aula Magna (com apresentação da ALS): 14 de abril de 2009

- Data de inicio: 17 / abril / 2009    

- Dias e horários previstos: às 6ª feiras, das 18:30 h às 21:30 h, e sábados, das 08 h às 17h

- Local: Rua da Assembléia 77, 3o andar – Centro, Rio de Janeiro (CAERJ)

- Valor do investimento: Tx. R$ 380,00 +14 de R$ 380,00. Total: R$ 5.700,00

 

Telefones para contatos e duvidas (ALS): (21) 2621-4587 / (21) 2613-5257 (Luciana, Sergio)

Email: als@alsustentavel.com.br

 

As matrículas já estão abertas para todos os interessados que poderão obter maiores informações no site.

 

 

(*)A INSCRIÇÃO NESTE CURSO GARANTE AUTOMATICAMENTE:

 

a. Matricula no Curso de atualização em Gerenciamento de Projetos

 

b. Inscrição e participação nos seguintes eventos:

 

b.1. V Congresso Nacional de Excelência em Gestão

b.2. Simpósio Internacional de Transparência nos Negócios. 

 

Contato:

 

Denise de Mattos Gaudard
Consultoria Socioambiental

Coordenação Acadêmica ALS - UCP

55(21) 2246-7255 - 8875-8820 
denisedemattos@gmail.com
Skpe:denisedemattos  Msn:denisedematos@hotmail

terça-feira, 31 de março de 2009

Entrevista sobre a relevância dos indicadores educacionais

Entrevista com Professora Lina Kátia, especializada em Educação para a Matemática e mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora que atualmente é Coordenadora da Unidade de Avaliação da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino e Extensão.

 

Carol:

Em uma apresentação disponível na rede você afirma que a avaliação é importante para produzir o diagnóstico, identificar os fatores explicativos do desempenho escolar, orientar as políticas públicas voltadas para a equidade e qualidade da educação e dar publicidade para prestação de contas à sociedade. Qual a sua posição quanto à responsabilização?

Que tipo de responsabilização seria eficaz – quais os critérios para a aplicação de incentivos ou sanções?

 

Professora Lina Kátia:

Em primeiro lugar vamos fechar um pouquinho o que significa responsabilização nesse nível. A gente tem uma informação, até por meio de uma avaliação de desempenho, seja ela a Prova Brasil, o SAEB, ou das redes púbicas estaduais. Este desempenho está atrelado à uma responsabilização sim. Somos todos nós co responsáveis com a qualidade da educação ofertada e com a promoção da equidade, que é a igualdade de oportunidades educacionais.  A forma que vai ser feita a responsabilização pode diferenciar de várias maneiras. Quando os resultados das avaliações externas chegam até a escola, é uma forma de responsabilização. Estou dizendo “olha, é este o retrato, o diagnóstico de sua escola.”. “É  este o retrato do diagnóstico de seu estado, do seu país.”.  


Temos também outro tipo de responsabilização, que se diz respeito a questão de incentivos. De incentivo financeiro tanto pra professor, quanto pra gestores escolares, ou estendido a todos que envolvem a escola. Eu acho uma política importante e sou a favor disso, desde que todas as pessoas envolvidas com a educação cumpram com seu compromisso.  Uma política adequada de investimento na educação pelos governantes, uma política adequada na gestão escolar. Quando eu me refiro à esta responsabilização da escola, estou dizendo que sou a favor por quê? As pesquisas estão mostrando que 35% dos fatores que influenciam no desempenho escolar são intra escolares. Se eu vou premiar ou dar algum incentivo em relação a cumprir metas que sejam claras, exeqüíveis, que deixem claro para a escola o que ela precisa fazer eu acho que vale a pena uma política neste nível.  

 

Carol:

A mídia sozinha não mobiliza a sociedade para a reflexão em torno do tema. O que fazer para que sejam organizados debates e utilizados os resultados?

 

Professora Lina Kátia:

Um ponto de partida seria justamente na formação inicial. Temos dois movimentos. Um é de pessoas que hoje trabalham na educação que tiveram sua formação inicial seja na década de 70 ou 80 e que esta questão não era uma realidade da educação brasileira. A avaliação externa, a utilização de resultados, a criação de indicadores educacionais, isso veio atrelado às reformas educacionais a partir da década de 90, e principalmente com a institucionalização do SAEB. Temos hoje uma realidade que precisa fazer parte dos cursos de graduação nas universidades. Este é um ponto essencial. Outro ponto essencial é fazer parte dos cursos de pós graduação, dos cursos de mestrado, tanto lato senso quanto stricto senso. Têm que fazer parte de uma ementa, de um currículo, de uma proposta da educação superior, seja ela em nível de graduação ou pós. Este seria o primeiro movimento. 


O segundo movimento é que as próprias redes de ensino propiciem cursos de formação continuada. Observamos que os estados promovem as suas avaliações, verificamos o movimento da mídia divulgando os resultados, mas não vemos a apropriação da escola como um todo, utilizando esses resultados como uma ferramenta diagnóstica, que pode contribuir para um processo de intervenção na escola. E este é o objetivo principal da avaliação censitária. Tem que fazer parte da formação inicial, dos cursos de pós e formação em serviço. E também na medida em que se envolve a comunidade escolar, e trabalha uma proposta diferenciada na escola, começamos a perceber a necessidade do uso desses indicadores . Quando verificamos a importância deles, tomamos consciência de onde eles podem contribuir com a escola para uma gestão educacional eficiente, começamos a fazer um movimento de se reciclar para isso.

 

Carol:

Em que projeto você está envolvida no momento?

 

Professora Lina Kátia:

Estou na Coordenação do CAEd, Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, que tem três linhas de atuação: avaliação educacional, gestão da formação escolar e formação de gestores. Especificamente na área de avaliação estou coordenando o sistema integrado de avaliação das redes estaduais do CAEd, que desde o ano passado trabalha com cinco estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Escola Eficaz

A partir de hoje estarei atualizando o blog com o conteúdo das entrevistas feitas durante o Seminário Política Educacional para uma Escola Eficaz, organizado pela Escola de Governo do Estado do Rio de Janeiro (FESP-RJ), que nos dias 23 e 24 de março debateu idéias, práticas e tendências que sinalizam a necessidade de mudanças na formação de professores. 

Foram debatidos temas como a reforma educacional em diferentes países do mundo, as origens da pesquisa em eficácia escolar e as tentativas de estabelecer processos de melhoria com base nos resultados, a relevância dos indicadores educacionais  para a Educação Básica e propostas curriculares para uma escola eficaz.

As apresentações dos palestrantes estão disponíveis no site da FESP.