sábado, 27 de junho de 2009

Homenagem ao astro do pop Michael Jackson

Por Maurício de Souza, bem bacana.

pagina 4  on Twitpic

Clique na figura para abrir o quadrinho.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Deu no Ex-Blog

"COCAÍNA AVANÇA NO BRASIL E CAI NO MUNDO"! ONU CONTRA A LEGALIZAÇÃO!

(ESP, 25/06) 1. O Brasil está andando no caminho inverso do restante do mundo no consumo de cocaína. Enquanto Europa e EUA reduziram o consumo nos últimos anos, o Brasil é um dos cinco países da América do Sul a registrar um aumento no número de usuários, diz o Relatório Mundial sobre Drogas -2009- do Escritório da ONU para Drogas e Crime. 890 mil brasileiros são usuários de cocaína ou 0,7% da população em 2007, quando seis anos antes o índice era de 0,4%. Da mesma forma Argentina, Uruguai, Venezuela e Equador, além da Guatemala, Honduras, Jamaica e Haiti, na América Central e Caribe.
2. A ONU apresenta no documento uma postura contrária à legalização das drogas: "As drogas ilícitas representam um grande perigo à saúde. Por essa razão, são e devem permanecer controladas", disse o diretor do UNDOC, Antonio Costa. "Legalizar só pode ser solução para quem pensa superficialmente no problema das drogas", afirma Analice Gigliotti.

Presidente Obama


“While this loss is raw and extraordinarily painful,” he said, “we also know this: Those who stand up for justice are always on the right side of history.”

("Embora esta perda seja cruel e extraordinariamente dolorosa, aqueles que lutam pela justiça estão sempre do lado certo da história.")*




*Tradução Livre

Divulgação: nova série da GNT

Sábado dia 27, às 21hs , estréia o seriado GENTE LESA GERA GENTE LESA, no canal GNT.

Sustentabilidade com muito humor. "Gente Lesa" é a nova série de ficção do GNT que mostra de forma bem-humorada e crítica como encaramos assuntos ligados à cidadania e à responsabilidade sócioambiental.

A série terá 13 episódios e a trama gira em torno de uma família que decide investir em uma consultoria de sustentabilidade como nova fonte de renda. A ironia é que ninguém na casa tem qualquer intimidade ou conhecimento sobre o tema. O programa traz uma visão diferente sobre problemas que passam despercebidos no dia-a-dia, mas que, se evitados, podem fazer uma grande diferença na preservação de recursos naturais e na qualidade de vida. O elenco principal é formado por Isio Ghelmann, Lorena da Silva, Bruna Savaget, Bianca Brunstein, Gabriel Sanches, Angélica Borges e Yago Machado.

"Gente Lesa"


Não percam!!!!!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

domingo, 24 de maio de 2009

Ziraldo

Essa eu não conhecia...


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ensinando o cérebro

Hoje na minha aula de "Teaching the brain" (Ensinando o Cérebro) aprendi um monte de coisas que servem para ajudar o aprendizado:

  • Estar sempre hidratada (o) - BEBAM água o tempo todo. O cérebro é composto de água e o que faz a ligação entre os neurônios é essa amiguinha que mtas vezes não lembramos¡¡¡¡¡¡¡ A água permite que os neurônios se comuniquem uns com os outros e façam a sinapse das idéias com mais rapidez;

  • Dormir bem - nós sabemos disso ;)

  • Tempo para memorizar - ter a prática e o tempo de maturação; eles explicam aqui como o aprendizado e o tempo para dormir e depois de acordar relembrar. Estudos comprovam que como os adolescentes são muito agitados durante à noite não devem estudar muito cedo, pois quando eles acordam precisam de tempo pra se estabilizar, portanto o horário ideal é começar após às 9h. Lembro-me bem de detestar estudar cedo e a minha mãe nunca nos colocou em atividades escolares tão cedinho. Tive cursos de língua estrangeira duas vezes por semana, mas como eu era uma entusiasta não me atrapalhou... Mesmo assim penso que estudarmos à tarde e à noite foi mto bom, pq nunca reclamamos.

  • Café da manhã com proteína!!! - acreditem, os carboidratos fazem mal para o aprendizado. Proteínas e café são muito bons pela manhã. Duas fatias de bacon fazem mais efeito do que um pão com manteiga em termos de aprendizagem. Mas se vcs querem também  melhorar os hábitos alimentares basta mudar os componentes. Ovos mexidos com presunto magro, sabe-se lá. A criatividade é o limite. 

  • Nosso cérebro muda até o dia em que morremos (acho que a maioria de nós aqui sabe disso, é um órgão que atrofia se não for utilizado). O que dói numa operação cerebral é o corte que é feito na caixa toráxica, não o "cutucar do próprio cérebro". Me assustei muito com isso... Significa que quando mexemos no conteúdo do cérebro não dói. Podemos estar anestesiados no crânio e o especialista mexendo na massa cefálica e não sentiríamos nada. Nadinha!!!! É possível fazermos experimentos tocando o cérebro aberto para ver quais zonas são estimuladas com você acordadinho - mesmo pq vc tem que estar "ligado" pra eles verem o que muda com os estímulos. Bom, resumindo, o melhor remédio para o cérebro é a prática. Qualquer uma. Se você gosta de ler, leia. De memorizar através de jogos de cartas, jogue o quanto puder. E por aí vai! 

  • Estudos comprovam que comer frutas durante 4-5 dias antes de um exame é excelente. Ainda não pesquisei o suficiente, mas estou mto interessada neste assunto. Minha professora PHD hoje inclusive disse que se o exame ou a atividade permitir comida durante o período, temos que levar frutas, sucos de fruta (especialmente laranja) e doces! Sim! Aproveite pra comer um pacote de M&M's pq o açúcar te deixa alerta e te faz esperto. Se o exame for grande principalmente. Se vc tiver qualquer chance de ficar cansado, leve uma bala do tipo Toffee, bem doce, qualquer coisa com bastante açúcar. Vai te dar energia pra continuar e melhorar sua performance.

É isso...

Um post mais informal ;)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Entrevista Nigel Brooke - Parte I

Entrevista com Nigel Brooke sobre Escola Eficaz. Nigel é professor convidado da Universidade Federal de Minas Gerais e consultor do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais da Faculdade de Educação. PhD em Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Sussex, Inglaterra.

Carol: em 2005 o senhor participou de um seminário organizado pelo Instituto Unibanco sobre Diagnóstico e Alternativas de Políticas Públicas. O senhor termina a apresentação com a pergunta “A responsabilização tem futuro como política educacional no Brasil?”  Qual seria a resposta hoje? O que mudou no Brasil até o presente?

Nigel Brooke: a responsabilização tem duas vertentes. Tem uma que é política e outra que é mais técnica. Aos poucos estamos resolvendo esses problemas técnicos. As primeiras políticas de responsabilização aqui no Rio de Janeiro, Ceará e outros lugares funcionavam na base da comparação entre o nível de desempenho dos alunos na escola em um ano e no ano seguinte para ver se a escola tinha conseguido melhorar.

Esta é uma metodologia bastante primária, é preciso muito mais do que isso. No mundo ideal você tiraria desta equação o nível sócio econômico dos alunos. Ou seja, você controlaria o nível sócio econômico da aprendizagem anterior dos alunos. O que o estado de São Paulo está fazendo agora, de estabelecer metas para a escola e só oferecer premiação ou bonus para as escolas que cumprem as metas já é um passo adiante em comparação com a metodologia anterior.

A parte política continua tão enrolada, tão difícil e os sindicatos não estão aceitando a idéia de que os professores de alguma forma devam ser responsabilizados pelos seus resultados. Isso ainda é um conceito muito complicado.

Carol: que países adotam a responsabilização como política de melhoria de resultados escolares que poderiam ser usados como exemplo de sucesso?

Nigel Brooke: sem a menor dúvida o país que mais avançou nessa área são os Estados Unidos, mas aqui na América Latina o Chile é que se destaca mais. Honestamente eu não sei quais são os países mundo afora que tem poltítica de responsabilização, mas o que se vê é que ao mesmo tempo que você estabelece política de responsabilização para os professores é preciso também construir políticas para todos os outros órgãos, agências e responsáveis pelo sistema educacional.

Os responsáveis pela pelas condições, pela criação de políticas de formação do professor. Todos os níveis governamentais que de alguma maneira devem contribuir para fornecer o serviço educacional. Não é só professor que é responsável. O professor tem toda razão de reclamar, porque até agora – pelo menos no Brasil – quem fica com esse encargo é somente o professor. 

Entrevista Nigel Brooke - Parte II

Carol: o que é uma escola eficaz? Quais fatores efetivamente influenciam uma escola nesse sentido?

Nigel Brooke: para responder essa pergunta eu preciso escrever um livro (risos). Um outro livro (mais risos). Para dar uma resposta curta a escola eficaz é aquela que faz mais do que você esperaria dela levando em consideração os alunos que ela tem. Isso pode parecer cruel, mas a verdade é que há uma correlação fortíssima entre o nível sócio econômico dos alunos e a probabilidade de sucesso escolar.

Se a escola consegue sucesso com alunos cujos antecedentes ou condições não te levam a acreditar nesse sucesso ela está sendo eficaz. Não significa que é a melhor escola ou que tem os melhores resultados, mas levando em consideração os alunos que têm se consegue ir além do que estatisticamente você esperaria desses alunos, a escola está sendo eficaz.

Agora, como transformar uma escola que não é eficaz em escola eficaz é muito complicado. Muito mais complicado do que fazer pesquisa, porque mexe com a maneira da escola se enxergar, com a questão da autonomia da escola para de fato alterar o seu rumo, depende das pessoas daquela escola, dos incentivos, depende de muitos fatores.

Na verdade mesmo não tendo tanta tradição de pesquisa nesta área no Brasil, o que tem de informação acumulada que provavelmente tem aplicação aqui é muito. Não é por não saber como fazer uma boa escola. Não é por não saber como formar um bom professor. Não é por falta de informação que as nossas escolas não se modificam.

Não existem procedimentos instalados para que a escola possa rever a sua parte e alterar seus procedimentos.

Carol: a escola está engessada?

Nigel Brooke: muito, muito. Vivemos numa cultura burocrática, e a maneira em que as escolas são organizadas nas esferas públicas só enfatizam isso. Só consolidam uma miséria, essa incapacidade de mexer.

Carol: então podemos afirmar que o problema é muito mais politico do que de diagnóstico?

Nigel Brooke: eu diria. É um modelo de escola pública. Quem contrata o professor, como ele é alocado para as escolas, qual sua função uma vez alocado em determinada escola… Tudo isso vem contribuir para esse engessamento.

Outro extremo completo é a escola ou sistema onde é o próprio diretor ou conselho diretor da escola que decide que tipo de professor eles precisame que sai ao Mercado para procurar e contratar essas pessoas com um orçamento que é próprio da escola e o diretor vai criando dentro da escola a sua equipe e a própria dinâmica que ele quer. Temos absolutamente opostos. Esse sistema que estou descrevendo talvez não exista em lugar nenhum, mas é um outro extremo.

Na medida em que você quer criar uma escola capaz de identificar seus problemas e alterar sua prática você tem que andar na direção daquele outro extremo, senão a mudança vai ser muito lenta.

Carol: Fale um pouco sobre o GERES (estudo longitudinal sobre qualidade e equidade no ensino fundamental brasileiro).

Nigel Brooke: são 6 universidades públicas colaborando, é preciso muita organizacão para fazer a coisa decolar. Nem o CNPQ consegue isso. Voluntariamente cada uma dessas instituições se juntou neste projeto comum. Há financiamento para essa pesquisa, mas o financiamento é para os custos reais, para os aplicadores, custos de campo. Para os pesquisadores não há nenhuma gratificação, nenhum ganho em termos financeiros,  só ganhos acadêmicos. Conseguimos manter coeso este grupo de 6 universidades durante já 5 anos , sem ninguém ganhar nada. Eu acho que para isso já merece um prêmio (risos), pois é um exemplo de como se mantém ativo o grupo de pesquisa em torno de um projeto, de um objetivo comum com sucesso. Tem dado certo, conseguimos levantas as últimas informações, agora é uma questão de processamento.  Que não é fácil, mas daqui a pouco nós estamos com os dados da pesquisa completos e aí começa a festa dos pesquisadores que é de fazer as análises. De fato extrair as informações que estão aí. Essa fase daqui pra frente é muito prazeirosa, extrair as lições que os dados nos trazem.

Entrevista Nigel Brooke - Parte III (final)

Carol: em qual outro projeto educacional o senhor está participando no momento?

Nigel Brooke: estou com dois projetos da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Um é um projeto de pesquisa e o outro que é um projeto de certificação.

O de pesquisa é interessante, é um projeto para descrever o perfil dos professores estaduais dos anos iniciais de todo o estado de Minas Gerais. O interesse especial nesta pesquisa é que é um “repeteco” de uma pesquisa de mesmo tipo realizada 12 anos atrás. Então vamos poder ver não só quem são os professores, mas no que esses professores são diferentes daqueles de 10, 12 anos atrás. De certa forma estaremos estabelecendo já uma série histórica para ver como o magistério vem mudando ao longo do tempo.

O outro é para estabelecer um sistema de certificação de professores. Minas Gerais têm discutido muito essa questão ao longo dos últimos anos e agora estamos colocando em prática essa idéia de estipular claramente o que é que se quer de um professor. Quais são os conhecimentos e as habilidades que, neste caso o professor dos anos iniciais, precisa ter?

E depois criar os instrumentos para avaliar se o professor tem ou não tem o que é preciso. A certificação deste tipo tem duas vantagens. Primeiro sinaliza para todo mundo o que é que deveria fazer parte da formação desses professores. Qual deveria ser o currículo dos cursos de formação.

E por outro lado, ao atestar que determinados professores de fato detém esse conhecimento, esse domínio que a Secretaria exige, mostra para a sociedade que existem professores excelentes. Tem professores que de fato merecem alguma distinção e que o sistema está criando esses professores que estão acima da media, e que têm essas competências todas. É um passo positivo, inclusive para poder conceder uma gratificação para esses professores, o que eu acho justo.

O valor simbólico desta certificação também é muito importante para o sistema no conjunto por elevar  a auto estima. 

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Curta Criativo 2009


O Sistema FIRJAN está recebendo até dia 04 de junho inscrições para o concurso CURTA CRIATIVO, um incentivo à produção cinematográfica que vai revelar novos talentos fluminenses para o mercado audiovisual. O CURTA CRIATIVO premiará os vencedores de forma que eles possam continuar produzindo suas ideias e exibir suas criações para divulgar a força da criatividade do Rio de Janeiro.

Poderão se candidatar ao concurso:

  • os alunos regularmente matriculados em cursos livres e técnicos de cinema do Estado do Rio de Janeiro.
  • os alunos regularmente matriculados, em qualquer período, em instituições de ensino superior nos cursos de Cinema, Comunicação e Design  do Estado do Rio de Janeiro.
Saiba mais lendo o regulamento.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Dedução X Descrição

O multiculturalismo defendido pela professora Ana Canen propõe um currículo composto de conteúdos básicos que possam servir de estímulo à atividades escolares para o desenvolvimento das habilidades e competências, para que tanto aluno quanto professor possam lidar com a diversidade cultural. 

“É preciso formarmos cidadãos com a capacidade de admitir que existem visões diferenciadas da vida e que temos que colocar um pouco entre parênteses os nossos próprios valores”, afirmou a professora no post do dia 13 de abril.

Para ilustrar este tema, disponibilizo aqui cena do filme  alemão O Enigma de Kaspar Houser, de 1974 (Werner Herzog, "Jeder für sich und Gott gegen alle"), onde o professor rechaça a habilidade do aluno de chegar à mesma conclusão através de outro raciocínio.

Vale a pena conferir:



 

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Teach for America

O Teach for America (TFA) é um programa americano que procura colocar alunos de universidades de elite para dar aulas nas escolas localizadas nos bairros com piores indicadores. Ligado à uma organização sem fins lucrativos de mesmo nome criada em 1989, tem como objetivo reduzir as desigualdades de acesso à educação de boa qualidade nos Estados Unidos.

O programa recruta e treina jovens talentosos, com alto potencial de liderança e capacidade de serem agentes de mudança para serem professores durante 2 anos em escolas públicas em regiões de baixa renda.

Desde 1990 mais de 17.000 pessoas fizeram parte do TFA, atingindo mais de 1.000 escolas e mais de 3 milhões de alunos. Ana Gabriela Pessoa, ex-aluna da Universidade de Harvard, forneceu mais informações sobre o programa.

Ana é bacharel em Política, Filosofia e Economia e mestre em Educação. Perguntada se existem pesquisas comparativas em relação ao fato de estes profissionais não terem formação pedagógica ela esclareceu que no caso do Teach for America a formação pedagógica não faz muita diferença.

“A teoria mostra que não faz diferença, pois eles recebem treinamento durante 5 semanas e depois têm treinamento em serviço ao longo do ano”, afirmou. “Em relação ao controle da sala de aula os professores reclamam do mesmo problema que os professores brasileiros, mas eles têm técnicas para gerenciar esta situação.”

Leia matéria da Veja sobre o programa.

Conheça o site oficial.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

AS DEZ MELHORES PRAIAS DO BRASIL

O JORNAL BRITÂNICO THE GUARDIAN LISTA AS DEZ MELHORES PRAIAS DO BRASIL!
         

1.Alter do Chão (Pará)

2.Sancho (Fernando de Noronha)

3.Toque (Alagoas)

4.Taipus de Fora, península de Marau (Bahia)

5.Caraiva (Bahia)

6.Arpoador (Rio de Janeiro)

7.Lopes Mendes, Ilha Grande (Rio de Janeiro)

8.Fazenda (São Paulo)

9.Bonete (São Paulo)

10.Lagoinha do Leste (Santa Catarina)


Veja as fotos...


Deu no ex-blog do Cesar Maia.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Proposta curricular para uma escola eficaz (parte I)

Entrevista com Ana Canen sobre proposta curricular para uma escola eficaz. Ana é PhD em Educação pela Universidade de Glasgow e mestre em Educação pela PUC-Rio.

Carol: Qual sua posição em relação às novas tecnologias? 

Ana: Como tudo na área da educação, podem ser usadas para efeitos positivos e para objetivos que não vão resultar em maior aprendizagem. A tecnologia no ensino se encaixa nesta perspectiva. Costumo dizer que trabalhar com a diversidade cultural dos nossos alunos, professores e escolas implica na sensibilidade real à esta diversidade. Isto é o que eu defendo no multiculturalismo, que é o conjunto de respostas à diversidade cultural. O que é a diversidade cultural? Diversidade étnica, racial, de classes sociais, de linguagem. Então se o professor, se o gestor educacional está atento à esta diversidade, se está sensibilizado para isso, pode usar qualquer recurso para ter resultados positivos, de valorizar essas culturas, de estabelecer um diálogo com essas culturas e promover efetivamente a aprendizagem.

No caso das tecnologias é a mesma coisa. O professor ou os alunos têm um computador, ou mesmo outras tecnologias como o vídeo, a televisão, são recursos que ajudam imensamente a área da educação. Nós somos muito privilegiados de termos esses recursos dentro da evolução da tecnologia. Mas isso não diminui o que eu tinha dito antes, é o professor que vai selecionar as mensagens que quer transmitir aos alunos, as atividades que quer comentar por intermédio das tecnologias, a forma como ele vai apresentar. Conjugar a tecnologia, que é um avanço extraordinário com a sensibilidade para um diálogo com as culturas, dosar as mensagens em linguagem compreensível, isso é um casamento perfeito.

Carol: O uso das tecnologias da informação e comunicação na educação está cada vez maior: a interação via rede, softwares de ensino, capacitação de professores para uso das novas tecnologias, experiências com e-mail, chat, portais, blogs etc. Tudo isso provoca o jovem de tal forma que sua atenção fica difusa?

Ana: Depende de como é tratado. Eu sempre defendo que você deve incentivar o aluno a ser um pesquisador. Ele não pode ser simplesmente uma pessoa que vai absorver passivamente os conhecimentos. Para ele ser um pesquisador, o professor primeiro tem que estar sensível à diversidade cultural. Quem são esses alunos com quem ele lida, de que comunidades são provenientes, quais são as culturas, quais são as linguagens, pra ele poder utilizar as ferramentas que vão ao encontro deste diálogo.

Em segundo lugar, ele tem que provocar de modo que esses alunos sejam pesquisadores. Como é que se faz uma pesquisa? Toda pesquisa surge de um problema. Se não há problema não tem o que pesquisar. Então quando a tecnologia é utilizada para que o aluno venha ser um pesquisador, para problematizar algum aspecto da realidade e pesquisar como resolver esse problema, ela não vai ocasionar a difusão. Existe a difusão se o professor não direcionar a pesquisa de forma correta. O tema não pode ser muito genérico, tem que dar um problema, ser mais específico, para o aluno não dispersar, porque o aluno não sabe o que é relevante e o que não é. Não sabe se um hiperlink é importante para o tema principal…

Sem direcionamento o aluno pega tudo o que vê pela frente como se fosse uma pesquisa, mas ele se perdeu, ficou confuso, se dispersou, como vc colocou muito bem. Mas se o professor dá um problema específico, faz perguntas exatas, a pesquisa virtual tem foco, parte de um problema, não é um tema amplo. Por mais que o aluno tenha várias informações naquela tecnologia, ele não vai se dispersar porque tem um fio condutor, tem  um problema a responder. A base tanto para a tecnologia quanto para qualquer outra área da educação é o professor que conjugue os benefícios da tecnologia com um bom preparo que ele tenha, uma boa formação seja inicial ou continuada que lhe permita fazer de seus alunos pesquisadores, problematizadores. Ele guia, dá o fio condutor para este aluno mergulhar nos recursos tecnológicos e promover as respostas, promover uma aprendizagem efetiva.

Carol: Quanto maiores as oportunidades, mais chances as crianças e os jovens têm de desenvolver suas potencialidades. A escola tradicional está engessada e seu trabalho defende “diferentes idéias para diferentes pessoas e instituições.”. A escola eficaz deve oferecer educação musical, artística, e/ou religiosa;  ensinar línguas e direitos humanos e/ou do consumidor?

Ana: O currículo é algo muito importante, central mesmo em uma escola. Uma escola eficaz, um sistema educacional eficaz se assenta num currículo eficaz. O que seria no meu entender um currículo eficaz? Seria tanto o da escola quanto o de formação dos professores. Não só de formação inicial, aquela que acontece nas universidades, como a formação em serviço, através das parcerias, que as secretarias de educação fazem com professores, com pesquisadores, com instituições de ensino superior para fornecer um currículo de formação de professores, neste caso em serviço continuado, que seja um currículo efetivo, que seja um currículo relevante. O currículo eficaz não precisa ser um somatório de conteúdos, porque senão acrescenta-se um monte de conteúdos e isso acaba que não tem fim.

O currículo é a alma da Educação. Tanto o das escolas como o de formação inicial e em serviço, dos professores. O que seria um currículo relevante? No caso da escol não adianta ficar acrescentando conteúdos. O currículo deve ser uma articulação muito bem feita entre conteúdos, competências e habilidades. Você não quer só uma criança que decore conteúdos de todas as áreas, você quer que ela seja estimulada a desenvolver competencias e habilidades. Por exemplo, você quer que ela desenvolva uma habilidade de respeito às diferenças se você está dentro de uma visão multicultural. Uma competência de lidar com essa diversidade, pois ela vai ser um profissional que no futuro vai ter que lidar com o mundo em transformação, com as tecnologias, vai ter que lidar com a diversidade das pessoas, tem que ter esta competência de aceitar as diferenças, de lidar com isso. 

Então o currículo eficaz não é só aquele que vai acrescentando conteúdos, é aquele que articula esses conteúdos à criação, ao desenvolvimento de habilidades, e para isso não precisa de uma quantidade enorme de conteúdos. Alguns conteúdos básicos que possam servir de estímulo à atividades como estudos de casos, laboratórios, simulações, dramatizações que vão estimular o desenvolvimento dessas competências, a competência de lidar com a diversidade cultural. A competência de admitir que existem visões diferenciadas da vida e que nós temos que colocar um pouco entre parênteses os nossos próprios valores.

Existem visões diferenciadas da vida e nós temos que colocar um pouco entre parênteses os nossos valores.

Habilidade de estudo. Muitas pessoas as vezes têm na escola aqueles conteúdos todos, mas o currículo não está fornecendo oportunidades de desenvolver habilidades de estudo individual, de procurar informação na tecnologia, de problematizar um assunto. Direitos humanos, teatro, música, são partes importantes do currículo, mas tem que haver em primeiro lugar um diálogo, desses conteúdos com a diversidade das crianças, com as habilidades. Nem todos tem potencial para todas as coisas.Tem que tentar conhecer a diversidade cultural, étnica, de linguagem dos alunos e tentar dar à eles um pouco de poder para escolher caminhos nesse currículo de acordo com as suas habilidades e suas tendências é um dos caminhos bons. Em algum momento, se ele em conjugação com professores e gestores achar que a música é um caminho que tem a ver com suas potencialidades, tem que perseguir níveis mais aprofundados de música. Oferecer a oportunidade de um currículo variado no primeiro momento, mas tentar entender a diversidade cultural e ir aprimorando de acordo com as potencialidades, este é o primeiro aspecto.

O segundo aspecto é que todos esses conteúdos não sejam exaustivos, que sirvam não só para dar as informações necessárias como também para estimular competências e habilidades. Competência para lidar com o diferente,  a habilidade de lidar com a diversidade, habilidades éticas, comportamento ético. O currículo eficaz não é um somatório de conteúdos. São alguns conteúdos que estejam em diálogo com as potencialidades, com as singularidades das crianças, com as necessidades do momento atual e que forneçam elementos para se trabalhar com habilidades e competências e não só com conteúdos a serem detonados.